A origem do atchim - viva!

28-07-2026
Neste tempo de verão sabe bem encontrar um lugar por onde corre um plácido ribeiro, cercado de plátanos que nos oferecem a sua sombra refrescante, a que se junta um antigo mosteiro beneditino (sec. X) com idílica beleza.

Se gostou do cenário acima descrito, venha daí visitar a igreja do  Salvador de Paço de Sousa, no concelho de Penafiel.
Com a sua magnífica arquitectura românica - a qual trataremos noutra oportunidade -  desta vez o n/ objetivo é algo sui generis; procurar a resposta à seguinte questão:


Porque é que sempre que alguém espirra é comum dizer-se "Viva", "Santinho" ou "Deus o salve"?

Talvez não acredite mas, curiosamente, a resposta está no interior daquele templo, mais exactamente, na sua jóia maior; o túmulo de Egas Moniz, o célebre aio do rei D. Afonso Henriques.
 

Assim, numa das faces da extraordinária arca tumular daquela personagem histórica, está esculpida a assombrosa representação das suas exéquias fúnebres. 

Deitado no seu leito, o ilustre finado está acompanhado à sua direita por familiares e amigos, com semblante pesado e triste. Do lado direito veem-se duas carpideiras puxando as suas próprias cabeleiras enquanto choram e gritam pela s/ morte.

Mas o que constitui o maior motivo de fascínio e estupefacção é o que está representado na parte central daquele painel lateral.

Ali, saindo da boca do falecido, surge a imagem de uma criança (simbolizando a pureza) em ascensão ao céu, ladeada por dois anjos.
Estamos perante uma rara e impressionante representação da alma a qual,  segundo a crença/superstição medieval, após a morte abandonaria o corpo do finado saindo-lhe pela boca.
Aqui chegados, é natural que se pergunte: mas qual é a relação desta representação escultórica com a pergunta inicial?
É comum designar-se a idade média como a idade das trevas, devido à ignorância e obscurantismo presente naqueles recuados  tempos. 

Exactamente por isso e em conexão com o acima descrito, nasceu a crença/superstição de que o acto de espirrar pudesse originar a prematura saída da alma. 

Ora, para esconjurar esse medonho terror - a existência de um corpo sem alma- passou-se  a dizer "viva", "santinho" ou "Deus o salve" sempre que alguém ao n/ lado espirra.

Acredite-se ou não, a verdade é que passados tantos séculos continuamos a associar o natural e simples acto físico de espirrar ao domínio do místico ou divino. 

Porém não se pense que tal situação só se verifique no n/ país pois, tanto quanto sei, esta é uma prática comum em diversos países de cultura europeia.

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