A origem do atchim - viva!

Se gostou do cenário acima descrito, venha daí visitar a igreja do Salvador de Paço de Sousa, no concelho de Penafiel.
Com a sua magnífica arquitectura românica - a qual trataremos noutra oportunidade - desta vez o n/ objetivo é algo sui generis; procurar a resposta à seguinte questão:
Porque é que sempre que alguém espirra é comum dizer-se "Viva", "Santinho" ou "Deus o salve"?
Talvez não acredite mas, curiosamente, a resposta está no interior daquele templo, mais exactamente, na sua jóia maior; o túmulo de Egas Moniz, o célebre aio do rei D. Afonso Henriques.
Deitado no seu leito, o ilustre finado está acompanhado à sua direita por familiares e amigos, com semblante pesado e triste. Do lado direito veem-se duas carpideiras puxando as suas próprias cabeleiras enquanto choram e gritam pela s/ morte.
Mas o que constitui o maior motivo de fascínio e estupefacção é o que está representado na parte central daquele painel lateral.
Ali, saindo da boca do falecido, surge a imagem de uma criança (simbolizando a pureza) em ascensão ao céu, ladeada por dois anjos.Estamos perante uma rara e impressionante representação da alma a qual, segundo a crença/superstição medieval, após a morte abandonaria o corpo do finado saindo-lhe pela boca.
Aqui chegados, é natural que se pergunte: mas qual é a relação desta representação escultórica com a pergunta inicial?
É comum designar-se a idade média como a idade das trevas, devido à ignorância e obscurantismo presente naqueles recuados tempos.
Exactamente por isso e em conexão com o acima descrito, nasceu a crença/superstição de que o acto de espirrar pudesse originar a prematura saída da alma.
Ora, para esconjurar esse medonho terror - a existência de um corpo sem alma- passou-se a dizer "viva", "santinho" ou "Deus o salve" sempre que alguém ao n/ lado espirra.
Porém não se pense que tal situação só se verifique no n/ país pois, tanto quanto sei, esta é uma prática comum em diversos países de cultura europeia.
