De Almançor a Oveques com o rio sempre à ilharga

28-07-2025
Porque devemos ter sempre presente o impacto da nossa pegada ecológica na preservação do ambiente, hoje vamos viajar até ao vale do rio Sousa usando um meio de transporte mais sustentável: o comboio.

Bem vindos a bordo !

A nossa jornada tem início na estação ferroviária de Campanhã de onde viajaremos, confortável e economicamente, no comboio suburbano Porto/ Marco de Canaveses, até ao nosso destino: Cêtte.
Não, não se trata de uma gralha ortográfica mas sim do nome galês com o  qual esta vila foi originalmente batizada - actualmente designada por Cete -  como mais à frente explicarei.

Lá chegados, à saída da estação, viramos à esquerda. Após caminharmos cerca de 300 m ao longo da a EN.319, iremos encontrar um cruzamento onde se localizam as instalações dos Bombeiros Voluntários  bem como uma das várias placas da Rota do Românico que nos irão guiar na jornada.

A partir daqui, lentamente, a paisagem urbana vai ser substituída pela rural. 

Perante os nossos olhos abre-se então um vale bucólico e verdejante, rodeado de montanhas como se fossem guardiãs deste tesouro.
Para emprestar ainda mais beleza ao local, as águas mansas da  ribeira de Baltar,  serpenteando entre choupos e amieiros, apontam-nos uma joia recatada e muito pouco conhecida: o mosteiro de S. Pedro de Cete.

Habitado por monges beneditinos durante séculos , foi aqui que encontraram o recolhimento necessário à prática da sua fé.
Também nós, neste local, somos invadidos por uma agradável sensação de paz e de contemplação inigualáveis...   

Aqui chegados é mister conhecer um pouco da história deste templo medieval.

Foi fundado no séc. IX por monges franceses, originários da cidade de Cêtte, que lhe conferiram o seu actual nome aportuguesado. 

Porém, no ano 963, foi o mosteiro destruído pelas tropas muçulmanas do temido Almançor, o mesmo que atacou e destruiu a catedral de Santiago de Compostela.

Curiosamente, anos mais tarde no decurso da guerra da reconquista cristã, um cavaleiro gaulês  Gonçalo Oveques, companheiro de armas do Conde D. Henrique, de Borgonha, vai patrocinar a reconstrução do templo onde,aliás, jaz o seu túmulo.

Não obstante as diversas alterações sofridas ao longo dos tempos, impõe-se uma vista a este monumento nacional no qual, para além da igreja e do claustro, poderemos apreciar a arquitectura românica, gótica e manuelina. Para mais informação ver aqui

Vamos prosseguir a nossa caminhada. 

Agora vamos "imergir" nesta natureza quase intocada percorrendo o chamado Trilho do Covão de Cete.

O trilho tem o seu início decorridos cerca de 800 m em relação ao mosteiro (seguir indicações).

Trata-se de um percurso pedestre que, seguindo ao longo das margens da já referida ribeira de Baltar, nos leva ao surpreendente local da sua maior atracção: a cascata de Covão de Cete.

É um daqueles lugares onde ao verde da vegetação se junta o marulhar da queda das águas transmitindo-nos uma repousante sensação de frescura e bem estar. 

Para além disso, os equipamentos lá instalados "obrigam" a uma paragem para repouso bem como captar a(s) fotografia(s) da praxe para mais tarde recordar.

 

Embebecidos pela paisagem que nos rodeia quase não nos demos conta dos cerca de 3 Kms percorridos neste trilho circular e que nos conduz de novo ao nosso já conhecido mosteiro.

A partir deste ponto podemos optar por regressar à estação de Cete ou aproveitar para degustar a gastronomia local. Neste último caso, sugiro um restaurante (O Moinho do Moleiro) onde, para além de se provarem as doses mais do que generosas, desfrutamos do encanto de uma refeição à sombra da ramada de vinho verde e com os "pézinhos na água", literalmente.

Bom proveito !


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